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Diário de Estrada de Kim Catedral


Não existe nada dentro de uma carreira musical que possa pagar esse tipo de coisa... Isso não tem preço! Obrigado meu Deus por tudo! Prestem muita atenção nesse texto emocionante que esta presente no "Álbum Azul" da Banda Catedral! Boa tarde a todos!



A Banda Catedral é a trilha sonora da minha vida. Eu posso fechar meus olhos agora e viajar dentro de mim recordando todos esses momentos marcantes que a banda esteve presente comigo como se fosse um filme. Suas canções embalaram meus romances, minhas lutas, minha fé, minha revolta contra a política, incentivaram meu voto consciente, foram meu insight contra a religiosidade e o maior motivo de eu montar uma banda e emocionar as pessoas com minha música. Desde a primeira vez que ouvi, apaixonei no som e hoje é uma das minhas maiores influências.
Minha vida inteira eu ouvi catedral. Inclusive no momento mais marcante da minha história.
Em 2003 eu descobri que tinha uma doença rara: tumor de células gigantes. É um tipo de tumor que se espalha rapidamente e destrói as estruturas ósseas. O primeiro foco nasceu no punho da minha mão esquerda, e eu sentia muitas dores, ficando cada vez mais incômodo tocar violão, minha grande paixão. Também fazer as atividades normais do dia-a-dia tornou-se uma via-crúcis.
Como eu lutei para buscar a cura, foram muitas cirurgias na mão esquerda pra tentar salvar o membro. Em cada cirurgia eram mutilados pedaços grandes dos ossos, cicatrizes enormes ficavam expostas, meus dedos atrofiaram e os médicos resolveram implantar uma placa metálica para manter o mínimo de funcionalidade possível na mão. Eu sentia muita dor, lembro que uma vez o no consultório, o médico diante dos meus olhos raspou minha mão esquerda com um bisturi e jogou no lixo pedaços de meus músculos e um tendão de um dos dedos, até uma parte dos meus ossos ficaram expostos.
Mas eu continuava a tocar meu violão que era uma terapia pra mim. Eu me trancava no quarto e com muita dor tocava as músicas do Catedral que me levava pra outra dimensão, outro mundo onde não existia dor, nem o medo da morte iminente, só havia a poesia a esperança e sombras de amor tocando meus ouvidos através da melodia e das letras da Banda. Era a minha fuga do mundo real nem que fosse por algumas horas, a música do Catedral me fazia voltar a sonhar... Quantas madrugadas eu passei tocando, chorando e balbuciando canções como "O que não se pode explicar aos normais”, "Para um novo tempo começar”... As musicas da banda dialogavam comigo, e eu não estava só! Havia seres humanos que entendiam minha dor e traduziam exatamente o que eu estava sentindo; no meu quarto éramos três: eu, o som da Banda e Deus, por que as musicas do Catedral sempre me aproximaram de Deus.
Mas em fevereiro de 2006 o médico disse que meu caso estava gravíssimo e que eu teria que amputar meu braço esquerdo. A cirurgia foi marcada pra uma terça-feira qualquer daquele mês. Então na última noite que passei em casa antes de ser internado, resolvi aproveitar cada segundo como se fosse o último, da forma mais intensa possível.
Eu estava apavorado. Depois da meia-noite me tranquei no meu quarto, peguei meu violão pela última vez, posicionei os dedos da mão esquerda no braço do instrumento sentindo muita, muita dor e com a mão direita comecei a dedilhar um Mi maior, suspirei fundo e de olhos fechados comecei a cantar: "o livro que você me deu pra ler"... Escolhi tocar pela última vez, minha última música no violão: O SONHO NÃO ACABOU do Catedral.
Foi lindo, emocionante e inesquecível. Eu tenho o maior orgulho de ter aproveitado intensamente meu último momento com meu braço esquerdo, tocando uma das músicas mais lindas que já ouvi, eu não tinha público, não tinham aplausos, mas me senti realizado por que aquela música foi como morfina para minha alma, para minha dor. Eu escolhi meu destino, me fazendo feliz e não me arrependo de ter escolhido sentir a última memória tátil do meu corpo com uma música do Catedral. Por que o sonho não acabou e nunca vai acabar.
Com 16 metástases no meu corpo, eu já estive paraplégico por um ano, em 2007 e cheguei a tomar 80 ampolas de morfina por dia, e mesmo assim minha dor não cessava. Mas no meu ipod as músicas do Catedral continuavam a falar comigo e a aliviar a minha dor. Quando o médico dizia que eu ia morrer, que eu nunca mais ia andar eu fechava meus olhos e deixava o som rolar "o nosso sonho não acabou assim, só escureceu..." e naquele lugar secreto que eu criei embalado pelo som da banda dentro de mim, a dor e o medo não podiam entrar. Era o meu castelo que me protegia de todo o mal.
Mas eu venci! Eu voltei a andar, a tocar com minha banda e levo uma vida quase normal hoje. Ainda sinto muitas dores e voltei a usar morfina, só que em quantidades muito menores. Os médicos dizem que não existe cura pra mim. Os tumores continuam crescendo inclusive na coluna e corro sério risco de ficar paraplégico de novo, a qualquer minuto. São 16 metástases no meu corpo, entre eles: cabeça, pescoço, coluna, costelas, bacia, pulmão mediastino, ombro, fêmur... Voltei a viver tempos de medo e apreensão.
Aí recebo outro presente de Deus. A Catedral veio tocar em Belém em julho de 2011 e eu e minha noiva Rafaella ganhamos um almoço com a Banda. Nos sentamos á mesa com eles e comecei a contar minha história. De repente o Kim disse estar emocionado, pôs a mão direita no rosto cobrindo os olhos e começou a chorar... Aí então ele me abraçou bem forte, pôs minha cabeça no seu peito, por alguns minutos, e cara eu me abandonei naquele abraço, eu quase podia ouvir claramente o som do coração acelerado dele, foi algo transcendental, espiritual. Então apertando forte a minha mão, o Kim disse palavras lindas pra mim e as lágrimas dele se misturaram com as minhas porque eu também me emocionei muito. Foi incrível, meu ídolo de adolescência, me abraçou, chorou comigo, era como se ele pudesse sentir a minha dor e quisesse dividir isso comigo. Foi um presente de Deus! Exatamente em um momento extremo da minha vida, Ele promove esse encontro com a Catedral, foi um presente inesquecível. É Deus dizendo pra mim: “Vitor, eu te amo e esse presente (conhecer o catedral) é a prova que eu acredito em você e se você acreditar nos seus sonhos, tudo é possível! Tudo! Porque o sonho ainda não acabou!”.

Obrigado Catedral! Por tudo! Valeu a pena viver até aqui! Quantos fãs não gostariam de abraçar o Kim? O Júlio? O Guilherme? Quem não gostaria de ter um minuto com eles? Tudo o que eu vivi todo o meu sofrimento foi uma ponte que me levou até esse momento marcante e inesquecível da minha vida! O que eu posso fazer? Continuar vivendo intensamente cada dia como se fosse o último! Por que amanhã pode acontecer algo que faz toda sua vida, suas lutas e suas dores valerem a pena! Como aconteceu comigo! VIDA LONGA AO CATEDRAL! OBRIGADO!

Vitor Lobo (músico, cantor da Banda 317 e fã da Banda Catedral).



Escrito por Kim Catedral às 06h03 PM
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